« Amore e Capoeira « … mais pas plus / « Amore e Capoeira »… Mas não mais

Drapeau France par Baptiste Fillon

Un grand morceau de musique de supermarché, qui nous vient d’Italie, visiblement.

Pour les clichés brésiliens, tout y est : sexe, soleil, cachaça, football, etc…

La chorégraphie vaut aussi le détour.

Ne manque que le bon goût. N’allons pas jusqu’à dire l’élégance.

Les artistes ont aussi réussi à mettre le Palmeiras à Rio de Janeiro. Ce qui a fait sourire Custódio, vert dans l’âme.

Vive l’amour entre les peuples. Mais surtout l’amour tout court (Comme dit la chanson : « Flex, time to have sex »)

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Drapeau Brésil por Baptiste Fillon

Uma grande música de supermercado, que vem da Itália, obviamente.

Os clichês brasileiros, todos estão lá: sexo, sol, cachaça, futebol, etc …

A coreografia também vale a pena ver.

Só falta o bom gosto. Não vou tão longe a ponto de dizer elegância.

Os artistas também conseguiram colocar o Palmeiras no Rio de Janeiro. O que fez Custódio dar risada, verde na alma.

Viva o amor entre os povos. Mas acima de tudo, viva o amor (como diz a música: « Flex, time to have sex »)

Titeuf: um menino francês decidindo o futuro do Brasil / Titeuf: un gamin français décide de l’avenir du Brésil

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Drapeau Brésil por Custódio Rosa

A ignorância é uma besta de difícil combate porque ela se fortalece comendo os próprios excrementos.

Esta semana virou assunto corrente no Brasil o candidato da extrema-direita, ex-militar e segundo colocado nas pesquisas para presidente, ter levado ao telejornal de maior audiência do Pais (aqui um único telejornal é fonte de informação da população, pois tem 40 a 50% de audiência do horário) um livro, que ele classificou como sendo “kit gay”.

Este livro « seria distribuído nas escolas” não fosse a corajosa e oportuna mobilização da melhor parte de nossa sociedade, capitaneada por ele e seus amigos.

O livro em questão é de um personagem francês chamado Titeuf.

O autor é um famoso cartunista francês chamado Zep. Seu nome, na verdade é Phillipe Chappuis, tem 51 anos, e publica álbuns do Titeuf desde 1992, tendo vendido mais de 20 milhões de exemplares em 25 países desde então.

E quem seria Titeuf?

Um menino, pré-adolescente, naquela idade confusa de quem saiu da inocência da infância e tenta compreender o mundo.

E nessa compreensão, caminha entre o nojo e atração sobre… o sexo!

Nojo, porque, obviamente, você grudar sua boca, enfiando sua língua úmida e requebrante feito uma enguia, goela a baixo da outra pessoa, trocando salivas e gemidos é algo absolutamente nojento.
Se você não entende esse nojo, é porque nunca foi um menino de 10 anos.
Atração porque, oras bolas… você é um menino de 10 anos!

Os álbuns do Titeuf são escritos para adultos, com seu humor peculiar, ao mesmo tempo cru e ingênuo, mas muito mais direcionados para garotos.

Porque ali estão as coisas que eles pensam, e o livro se coloca ao lado deles para que os ajude a compreender as coisas, principalmente dizendo: “ei, cara, você não está sozinho. Isso tudo é mesmo muito estranho”.
Mas estamos na França.

Voltemos ao Brasil.
Um lugar onde ter conhecimento é “desnecessário”, onde pesquisar minimanente qualquer coisa é “perda de tempo”, onde uma gafe do tamanho de 50% da audiência do pais é irrelevante, onde quem vem alertar trazendo uma informação correta é um cara “chato pra cacete”.

Aliás, foi informado pelo Ministério da Educação que este livro nunca fez parte de distribuição em escolas. Já o Ministério da Cultura comprou uma quantidade para distribuir em bibliotecas, dentro do espectro de livros que abordam sexualidade para adolescentes. Biblioteca não é escola, e o livro está presente -e acessível- para pré-adolescentes de 25 países.

O candidato saberia que estava falando de um personagem de sucesso internacional? Era ignorância ou apenas uma “fake news” para solidificar seu papel de herói dos bons costumes diante da população?

Impossível saber.

Mas a besta segue se fortalecendo, e, visto a quantidade de excremento que anda produzindo, está longe de parar de crescer.

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Drapeau France par Custódio Rosa

L’ignorance est une bestiole difficile à combattre, parce qu’elle se renforce en se nourrissant de ses propres excréments.

Ancien militaire, placé à la deuxième place dans la course à la présidence par les sondages, le candidat d’extrême droite a fait sensation au Brésil, cette semaine, en brandissant lors du journal télévisé le plus regardé du pays (ici, un seul et même journal télévisé est la source d’information de toute la population, puisqu’il réalise entre 40 et 50% d’audience sur le créneau horaire) un livre, qu’il a qualifié de « kit gay ».

Cet ouvrage « serait distribué dans les écoles » sans la mobilisation courageuse et opportune de la meilleure partie de notre société, dirigée par lui et ses amis.

Le livre en question concerne un personnage français, appelé Titeuf.

Son auteur est un célèbre caricaturiste français, nommé Zep. Philippe Chappuis de son véritable nom. Agé de 51 ans, il publie des albums de Titeuf depuis 1992, et en a vendus plus de 20 millions d’exemplaires dans 25 pays.

Mais qui est donc ce Titeuf?

Un gamin, pré-adolescent, traversant cet âge confus de qui a quitté l’innocence de l’enfance et tente de comprendre le monde.

Et dans cette tentative de compréhension, il oscille entre le dégoût et l’attraction pour… le sexe!

Dégoût, parce que, évidemment, c’est absolument dégoutant de coller votre bouche, fourrer votre langue humide et ondulante comme une anguille, dans la gorge d’une autre personne, et d’échangez votre salive et des gémissements avec elle.
Si vous ne comprenez pas ce dégoût, c’est que vous n’avez jamais été un gamin de 10 ans.
Attraction parce que, nom de Dieu… vous êtes un gamin de 10 ans!

Avec leur humour décalé, à la fois brut et naïf, les albums de Titeuf sont écrits pour des adultes,  mais aussi et surtout destinés aux garçons.

Parce que ce sont des choses qui occupent leur esprit, et le livre se tient à leurs côtés pour les aider à les comprendre, disant notamment : «Hé, mec, tu n’es pas tout seul. Tout ça est carrément chelou.  »
Mais nous sommes en France.

Retournons au Brésil.
Un endroit où le savoir est « inutile », où chercher à se renseigner un tant soit peu est vu comme une  « perte de temps », où une gaffe embrassant 50% de l’audience du pays passe sans faire de vagues, où celui qui veut mobiliser en apportant une information correcte est un type ‘tellement ennuyeux ».

Incidemment, le Ministère de l’éducation a informé que ce livre n’avait jamais été distribué dans les écoles. Le Ministère de la Culture en a acheté pour les distribuer dans les bibliothèques, dans la masse des livres traitant de la sexualité à destination des adolescents. La bibliothèque n’est pas une école et le livre est disponible – et accessible – pour les pré-adolescents de 25 pays.

Le candidat savait-il qu’il parlait d’un personnage internationalement connu ? Était-ce de l’ignorance ou juste une « fake news  » pour consolider son statut de héros des bonnes moeurs face la population ?

Impossible à savoir.

Mais la bestiole continue de se renforcer et, vu la quantité d’excréments qu’elle produit, elle n’est pas prête de cesser de grandir.

Mulheres italianas / Femmes italiennes

Drapeau Brésil por Custódio Rosa

Caminho pelas ruas italianas.
Todos estrangeiros que conheço, inclusive mulheres, falam do jeito da brasileira andar.
Existe toda uma engenharia ancestral, provavelmente vinda da África (índios brasileiros não têm lá aquela ginga toda) onde a dança é uma linguagem social e as mulheres sempre carregaram grandes e pesados objetos equilibrados na cabeça, exigindo sutis movimentos de quadril para manter o balanço e a harmonia do conjunto enquanto caminham em chão de terra e pedras. Como na música… “lata d’agua na cabeça, lá vem maria…”. É uma mágica.

Aqui vejo as Italianas andando, indo e vindo do trabalho ou olhando lojas e galerias.
São lindas, mas pouco sorridentes, não te olham nos olhos.
Seguem em frente, decididas.

Se as brasileiras caminham como africanas que sabem dançar, as italianas, seja de tênis ou salto alto, caminham em passos largos, num andar rápido e firme, como soldados romanos enviados por César para combater sozinhas um exército de bárbaros em um território qualquer.

E digo uma coisa: eu acho que elas vão vencer.

 

Drapeau France par Custódio Rosa

Je marche dans les rues italiennes.
Tous les étrangers que je connais, y compris les femmes, évoquent la démarche des Brésiliennes.
Il existe toute une technique ancestrale, probablement africaine (Les Indiens du Brésil n’ont pas du tout cette façon de se balancer) où la danse est un langage social et les femmes portaient toujours de grands et lourds objets en équilibre sur la tête, ce qui nécessite des mouvements de hanches subtils pour maintenir l’équilibre et l’harmonie de l’ensemble, tandis qu’elles marchent sur la terre et les pierres. Comme dans la musique … “lata d’agua na cabeça, lá vem maria…” C’est magique.

Ici, je vois les Italiennes qui marchent, vont et viennent du travail, ou regardent les magasins et les galeries.
Elles sont belles mais peu souriantes, et ne te regardent pas dans les yeux.
Elles filent, déterminées.

Si les Brésiliennes marchent comme des Africaines qui savent danser, les Italiennes, en baskets comme en talons aiguilles, font de longues enjambées, dans une démarche rapide et ferme, comme des soldats romains envoyés par César combattre toutes seules une armée de barbares, sur un territoire donné.

Et je dis une chose: je pense qu’elles vont gagner.

Photo credit: Andreauuu on Visualhunt / CC BY-ND

O drible e a tática / Le dribble et la tactique

Drapeau Brésil por Custódio Rosa

Se o futebol for um templo, sem fronteiras e sem pátria, pode-se entrar nele por duas entradas distintas:

Uma é a da diversão, da fantasia, a dança lúdica com a bola, o descompromisso total e absoluto com a linha reta. Chamamos isto de drible.

A outra é a da organização, do planejamento, o compromisso com as posições, os espaços e com o resultado final. Chamamos isso de tática.

O drible é o desvio de caráter permitido. É quando aquele que diz ser, não é; o que diz ir, não vai; o que insinua e aponta mas faz o oposto, e você não pode condená-lo por isso. A tática é a idéia aprisionada. A tentativa de prever e acondicionar, em um invólucro de gente e espaço, toda a imprevisibilidade do jogo.

O drible é a infância, onde a brincadeira é obrigatória, a fantasia é a regra vigente, a molecagem uma doutrina e uma escola pra vida: caia sentado e aprenda, porque ou você engana a vida ou a vida vai te enganar.

A tática é a maturidade, onde a organização se impõe, a responsabilidade te chama a cumprir sua função, a irresponsabilidade é punida com a humilhação: você não foi capaz de fazer sua parte.

Estas idéias opostas, de liberdade absoluta e aprisionamento do indivíduo, se complementam e se tocam, combatendo uma à outra, mas namorando entre si, como amantes que se odeiam nutrindo pelo outro uma atração proibida.

Um jogo só de dribles seria um jogo sem moral, sem sentido e fadado ao fracasso. Uma espécie de conjunto de focas amestradas, personagens de circo se exibindo em um picadeiro confuso, uma orquestra só de solistas aborrecendo a platéia.

Um jogo só de tática não é um jogo, mas um combate de robôs sem inspiração. A organização pura de um time, em seu limite, seria uma infantaria em ordem-unida, marchando em direção ao adversário, torcendo para não ter que lidar com aquele objeto redondo e inconveniente, a bola.

Como qualquer templo, o futebol está sujeito à cultura do qual faz parte. Ele dialoga com o lugar no qual está envolvido, dá e absorve do povo que o circunda.

O Brasil é um país jovem, feito de gente misturada. E por ser jovem, um tanto irresponsável e delinquente, com tanto chão sob os pés, se vale do drible. Da irresponsabilidade de quem acha que tem todo o espaço e tempo do mundo pra viver, se divertir e ainda virar o jogo.

Somos crianças adoráveis, veja como encantamos vocês, veja como os seduzimos, como podemos fazer-los sonhar.

Por isso, perdoem nossos improvisos.

Europeus são um povo bem mais antigo, feito de gente que trazia de suas aldeias a organização como célula de sobrevivência em um terreno disputado e pequeno e longos invernos.

Vencer Romanos, segurar os Russos e aturar os Ingleses não é lá tarefa muito fácil, exige disciplina e um grande espírito de grupo.

Natural que isso resulte em um futebol tático, feito de obrigações e ocupação de espaço.

Os grandes gênios do futebol europeu foram, antes de mais nada, grandes organizadores de jogo. Sua poesia era driblar dentro da funcionalidade.

Os grandes gênios do futebol brasileiro eram improvisadores natos, que traziam da rua a faísca do inesperado, adequando-a na busca da vitória.

Basta jogar uma pelada nos campos amadores do Brasil que você percebe que drible é muito mais perseguido que o gol.

Só perde mesmo para o golaço, que nada mais é do que um gol que se vestiu de drible pra poder se divertir um pouco mais.

 

Drapeau France par Custódio Rosa

Si le football est un temple, sans frontières et sans pays, vous pouvez y pénétrer par deux entrées différentes:

L’un est le plaisir, la fantaisie, la danse ludique avec le ballon, le désengagement total et absolu avec la ligne droite. Nous appelons cela un dribble.

L’autre est celui de l’organisation, de la planification, du respect des positions et des espaces, et du résultat final. Nous appelons cela la tactique.

Dribbler est une déviance autorisée. C’est ne pas être ce qu’on dit être; c’est dire qu’on va quelque part et ne pas y aller; c’est insinuer et indiquer mais faire le contraire, et personne ne peut le blâmer pour cela. La tactique est l’idée emprisonnée. La tentative de prédire et d’emballer, dans une enveloppe de personnes et d’espace, toute l’imprévisibilité du jeu.

Le dribble est l’enfance, où l’amusement est obligation, la fantaisie la règle dominante, la jeunesse une doctrine et une école pour la vie: tomber et apprendre, parce que soit tu triches avec la vie, soit elle triche avec toi.

La tactique est la maturité, où l’organisation s’impose, la responsabilité t’appelle à remplir ta fonction, l’irresponsabilité est punie d’humiliation: tu n’as pas rempli ton rôle.

Ces idées opposées, de liberté absolue et d’emprisonnement de l’individu, se complètent et se touchent, se combattent, mais se retrouvent, comme des amants qui se haïssent, nourrissant l’un pour l’autre une attraction interdite.

Un jeu uniquement fait de dribbles serait sans moralité, insignifiant et voué à l’échec. Une sorte d’assemblage de phoques apprivoisés, de personnages de cirque paradant sur une piste confuse, un orchestre de solistes agaçant le public.

Un jeu uniquement tactique n’est pas un jeu, mais un combat de robots sans inspiration. L’organisation pure d’une équipe, dans sa limite, serait une unité d’infanterie unie, marchant vers son adversaire, espérant ne pas avoir à faire face à cet objet rond et gênant, la balle.

Comme tout temple, le football est soumis à la culture dont il fait partie. Il dialogue avec l’endroit où il est impliqué, donne et absorbe les personnes qui l’entourent.

Le Brésil est un pays jeune, composé de personnes métissées. Et parce qu’il est jeune, un peu irresponsable et délinquant, avec tant de terrain sous ses pieds, il utilise le dribble. De l’irresponsabilité de ceux qui pensent avoir tout l’espace et le temps du monde pour vivre, s’amuser et renverser un match.

Nous sommes des enfants adorables, voyez comme nous vous enchantons, voyez comme nous vous séduisons, comment nous pouvons vous faire rêver.

Alors pardonnez-nous pour nos improvisations.

Les Européens sont un peuple bien plus ancien, composé de personnes qui apportait leur organisation comme une cellule de survie sur un terrain petit et contesté et longs hivers.

Vaincre les Romains, tenir les Russes à distance et supporter les Anglais, ce n’est pas une tâche facile, cela demande de la discipline et un grand esprit de groupe.

Normal que cela donne un football tactique, fait d’obligations et d’occupation de l’espace.

Les grands génies du football européen étaient avant tout de grands organisateurs de jeux. Leur poésie consistait à dribbler dans la fonctionnalité.

Les grands génies du football brésilien sont nés improvisateurs, ils ont apporté de la rue l’étincelle de l’inattendu, l’ajustant à la recherche de la victoire.

Il suffit de jouer sur les terrains amateurs du Brésil pour réaliser que le dribble est beaucoup plus recherché que le but.

On peut même rater un but magnifique, cela n’est rien de plus qu’un but déguisé en dribble pour nous amuser un peu plus.

Fascinant « raisonnable » / Fascinante « raisonnable » (razoável)

Drapeau France par Baptiste Fillon

Raisonnable est un mot fascinant. En français, je le trouve un peu long, et flasque. Mais c’est son inconsistance qui le rend intéressant. Il permet de signifier à l’autre sa bêtise, ou bien à exprimer votre désaccord. Ce qui revient à la même chose, en France. Je trouve qu’il incarne bien l’aversion au risque des Français, le goût d’une politesse qui n’en a que le nom, et le conservatisme national.

– Monsieur, soyez raisonnable

Cette phrase peut s’adresser à un cadre en costume lâchant une remarque sèche lors d’une réunion ennuyeuse comme la pluie, à un écrivain utilisant trop d’adjectifs, à un peintre utilisant trop de jaune, ou à un ivrogne urinant en public.

Celui ou celle qu’il vise est jeté de l’autre côté d’une barrière que vous avez vous-même placée, au moyen d’un faisceau de lois non écrites, que vous seuls connaissez, et que votre cible a le tort d’ignorer. La barrière et les lois ne sont peut-être que des illusions. Mais c’est la posture qui compte. Un combat sans coups. 

Et elle fonctionne encore mieux quand vous avez le pedigree pour l’assumer. Vous sortirez immanquablement vainqueur de la lutte. Si vous êtes le fils d’un Préfet de Police,  dirigeant dans un Groupe du CAC 40, issu de la noblesse d’Empire, vous êtes raisonnable. Un peu moins si votre mère est caissière de supermarché.

Raisonnable va du côté de la force, de la raison d’Etat, d’un bon sens intéressé à la perpétuation des intérêts en place.

Cet adjectif incarne d’un certain esprit français, faisant de ce pays une nation conservatrice, oligarchique, sachant manier avec passion la rhétorique révolutionnaire pour favoriser le statu quo.

Il place les limites, sans force, mais avec fermeté, par l’humiliation, et de façon définitive. Oui, même au pays des Droits de l’homme, on ne mélange pas les torchons et les serviettes… Encore une expression intéressante, mais ce sera pour une autre fois. Mon post est déjà bien assez long, ce ne serait pas raisonnable…

 

Drapeau Brésil por Baptiste Fillon

Raisonnable é uma palavra fascinante. Em francês, acho um pouco longa e flácida. Mas é sua inconsistência que a torna interessante. Ela permite que você aponte a estupidez do outro ou expresse sua discordância. O que equivale à mesma coisa, na França. Eu acho que isso incorpora a aversão ao risco dos Franceses, o gosto por uma polidez que é apenas um nome para o conservadorismo nacional.

– Monsieur, soyez raisonnable.

Senhor, seja razoável. Essa sentença pode ser endereçada a um executivo de terno que soltou uma observação seca em uma reunião chata como a chuva, um escritor usando muitos adjetivos, um pintor usando muito amarelo ou um bêbado urinando em público.

Aquilo que o outro está mirando é jogado para o outro lado de um muro que você mesmo construiu, por meio de um conjunto de leis não escritas, que só você sabe, e que ele vai ignorantemente errar. A barreira e as leis podem ser ilusões. Mas é a postura que conta. Uma luta sem golpes.

E funciona ainda melhor quando você tem o pedigree para assumir isso. Você inevitavelmente vencerá a luta. Se você é filho de um policial, líder de um grupo CAC 40*, da nobreza do Império, você é raisonnable. Um pouco menos se sua mãe é uma caixa de supermercado.

Raisonnable vai do lado da força, da razão de estado, um bom senso interessado na perpetuação dos interesses no mesmo lugar.

Este adjetivo incorpora um certo espírito francês, fazendo deste país uma nação conservadora e oligárquica, sabendo lidar com a retórica revolucionária com paixão para favorecer o status quo.

Ele coloca os limites, sem força, mas com firmeza, por humilhação e definitivamente. Sim, mesmo na Terra dos Direitos Humanos, on ne mélange pas les torchons et les serviettes (não misturamos toalhas e guardanapos) … Outra expressão interessante, mas será para outra ocasião. Meu post já é longo o suficiente, não seria raisonnable

*Índice da Bolsa de Valores Francesa.

Le goût de l’hiver / O gosto do inverno

Drapeau France par Baptiste Fillon

C’est un dessin publié dans une revue brésilienne qui m’a fait songer à cet article. Bula, si mes souvenirs sont bons. Je ne suis pas parvenu à le retrouver. Il contenait deux vignettes. L’une d’elles montrait une femme accablée par la chaleur de l’été. L’autre la montrait en hiver, chaudement et confortablement vêtue, se trouvant très élégante. Bref, l’hiver valait mieux que l’été.

Ce dessin a fait écho à une impression personnelle, ressentie dans les rues de São Paulo, alors que je parcourais le quartier aisé d’Ibirapuera, en août, durant l’hiver austral. Il devait faire 25 degrés à l’ombre. Je portais un tee-shirt, tandis que beaucoup de Paulistanos étaient vêtus des pulls et des manteaux. J’ai trouvé cela étrange, dans un pays où la température monte parfois à 30 degrés en hiver, même à São Paulo, située dans une région considérée comme tempérée, selon les critères sud-américains (soyons clairs, selon les critères climatiques français, l’hiver brésilien n’existe pas. Ou seulement parce que le soleil se couche plus tôt). Sans compter que cela cassait mes clichés sur le Brésil. Oui, cela me décevait même un peu, comme une promesse non tenue.

Cela dit, je veux bien concevoir que nous n’avons pas la même sensibilité au froid, selon l’endroit de la planète où nous avons grandi. Mais il y a des constantes biologiques : le corps humain transpire à partir d’une température de 24 degrés.

Je pense donc que les Paulistanos enveloppés dans la laine et le cuir devaient vivre une torture.

Je n’ai compris la raison de leur accoutrement qu’au bout de quelques jours, après avoir passé du temps dans les transports en commun, les bus notamment. Souvent, les passagers avaient la peau plus sombre, et leurs vêtements étaient plus légers : un tee-shirt ou une chemisette, sous un petit pull ou un gilet, pour se prémunir du froid du matin.

A ma grande surprise, j’ai découvert que ce goût de l’hiver était un signe de distinction sociale. Comme quoi, le snobisme vestimentaire a parfois du bon :  il sert à briser les clichés…

 

Drapeau Brésil por Baptiste Fillon

Em um cartum publicado numa revista brasileira que me deu a ideia deste post. Bula, se minhas lembranças são boas. Eu não consegui encontrá-lo de novo. Continha dois quadrinhos. Um deles mostrava uma mulher oprimida pelo calor do verão. A outra mostrava-a no inverno, vestida de maneira calorosa e confortável, sendo muito elegante. Em suma, o inverno era melhor que o verão.

Esse desenho ecoou uma impressão pessoal, sentida nas ruas de São Paulo, quando viajei pelo afluente bairro do Ibirapuera, em agosto, durante o inverno austral. Tinha que ser 25 graus na sombra. Eu usava uma camiseta, enquanto muitos paulistanos vestiam blusas e casacos. Achei isso estranho, em um país onde a temperatura às vezes sobe para 30 graus no inverno, mesmo em São Paulo, localizada em uma região considerada temperada, segundo os critérios sul-americanos (vamos ficar claros, segundo os critérios climáticos franceses, o inverno brasileiro não existe, ou existe só porque o sol se põe mais cedo). Sem mencionar que isso quebrou meus clichês sobre o Brasil. Sim, isso me desapontou um pouco, como uma promessa quebrada.

Dito isso, entendo que não temos a mesma sensibilidade ao frio, dependendo de onde no planeta crescemos. Mas há constantes biológicas: o corpo humano secreta a transpiração de uma temperatura de 24 graus.

Então eu acho que os Paulistanos envoltos em lã e couro tiveram que viver uma tortura.

Eu só entendi a razão para o esse vestuário depois de alguns dias, quando passei mais  tempo no transporte público, incluindo ônibus. Muitas vezes, os passageiros tinham a pele mais escura, e suas roupas eram mais leves: uma camiseta, sob um suéter ou colete, para se proteger do frio da manhã.

Para minha surpresa, descobri que esse gosto de inverno era um sinal de distinção social. O vestido esnobe às vezes tem algo de bom: serve para quebrar os clichês…

Photo credit: Julio Chrisostomo on VisualHunt.com / CC BY