Time é amor, Seleção Brasileira é Hollywood / Mon équipe c’est de l’amour, la Seleção c’est Hollywood

neymar_osca

Drapeau Brésil por Custódio Rosa

No Brasil, quase todo mundo tem um clube de coração.

Mesmo assim sobra muita gente que não é torcedor de clube, ou que não chega a perder fios de cabelo por uma derrota do seu time.

Na Copa as coisas mudam.

Uma legião de pessoas de todos os sexos e idades entra neste território estranho e imprevisível chamado « torcida ». Gente que o ano inteiro não sabe o que é impedimento, reclama do excesso de jogos na tevê atrapalhando a novela, ou fura as bolas dos garotos quando caem no quintal, a cada quatro anos vira torcedor de futebol. Roem unhas, torcem as mãos (dizem vir daí o termo), suam frios, tomam água com açúcar, perdem o apetite e sofrem antes, durante e, muitas vezes, após o jogo.

Mas nós, os outros, que torcemos para nossos times regularmente, duas vezes por semana, 11 meses por ano, olhamos para esse contingente de aflitos ocasionais como olham velhos veteranos de guerra para aqueles recrutas assustados desembarcando no primeiro combate.

Com nossas cicatrizes no lombo, rimos desse desespero alheio: torcer para time é uma coisa bem diferente de torcer para a Seleção.

O time joga sempre.

A todo momento ele testa seu amor, seus limites, sua paixão. Ele te trata muito mais mal do que bem. Você fica muito mais infeliz do que feliz. Entre 20 times de cada campeonato, só um ganha, por isso amar um time é um masoquismo estatístico.

Mesmo assim você ama, sofre por 70 jogos no ano.

É um amor vagabundo, vira-lata, que fica feliz com qualquer afago, carinho que o time lhe faça, mesmo sendo uma vitória suspeita aos 43 do segundo tempo, injusta mas redentora.

Amar um time de futebol é como amar uma mulher que te faz de gato e sapato, te trai e te pisa, faz você ser motivo de piadas dos cunhados, dos vizinhos, dos amigos do escritório, e mesmo assim você não consegue largar.

Já torcer pro Brasil… aquele time em que jogaram Pelé, Garrincha, Rivelino, Zico, Didí e Ronaldo? Aquele que é mais vezes campeão? Aquele que é famoso porque tem o jogo mais bonito do mundo?

Torcer pro Brasil é moleza.

Se a gente olhar bem, torcer pro Brasil é como assistir um filme no cinema. Você senta, pega a pipoca, sabe que vai rolar um espetáculo e que os mocinhos estão do seu lado. Vai ver vários efeitos especiais e as chances de final feliz são muito grandes. Porque a gente quer ver um futebol-Hollywood. Amar a seleção é fácil como amar o… Indiana Jones de chuteiras.

Já amar o time do coração é muitas vezes amar o bandido, o errado, aquele que não merece mas a gente quer ver ganhar.

Sejam bem-vindos os torcedores temporários das Copas. Eu já preparei a pipoca, vou sentar no meu sofá e assistir ao espetáculo. Quero alegria, diversão e efeitos surpreendentes. E se os mocinhos não vencerem no final, eu só desligo a tv.

Porque em alguns dias já tenho encontro com meu verdadeiro amor.

 

Drapeau France par Custódio Rosa

Au Brésil, tout le monde ou presque a un club de coeur.

Malgré tout, beaucoup de gens  ne supportent pas un club en particulier, ou qui ne ne s’arrachent pas les cheveux quand leur équipe perd.

Tout change lors de la Coupe du Monde.

Une armada de personnes de tous sexes et de tous âges pénètre sur ce territoire étrange et imprévisible appelé «supporterisme». Ceux qui ne savent pas ce qu’est un hors-jeu, qui se plaignent du nombre de matchs excessif à la télé, perturbant la diffusion de leur novela, ou crèvent les ballons des gamins quand ils tombent dans leur cours, tous les quatre ans, ces gens deviennent fans de football. Ils se rongent les ongles, se tordent les mains (c’est de là que vient le terme « torcedor »), ont des sueurs froides, boivent du soda, perdent leur appétit et souffrent avant, pendant et, souvent, après le match.

Mais nous autres, qui soutenons nos équipes tout l’année, deux fois par semaine, 11 mois par an, nous regardons ce contingent de passionnés occasionnels comme des anciens combattants observent des recrues apeurées, débarquant dans la bataille.

Avec notre peau lardée de cicatrices, nous rions de ce désespoir lunaire : supporter mon équipe est totalement autre chose que d’encourager la Seleção.

Mon équipe joue toute l’année.

A chaque fois, elle teste votre amour, vos limites, votre passion. Elle vous traite plus mal que bien. Vous êtes beaucoup plus malheureux que heureux. Parmi les 20 équipes d’un championnat, une seule le remporte. Aimer une équipe est donc un masochisme statistique.

Même si vous l’aimez, vous souffrez pendant 70 matchs par an.

C’est un amour sans-abri, cabot, qui se satisfait des soucis, de l’affection que votre équipe génère, même s’il s’agit d’une victoire glauque à 87e minutes de jeu, injuste mais rédemptrice.

Aimer une équipe de football, c’est aimer une femme qui fait de vous un chat et un godillot, qui vous trahit et vous vole, qui  fait de vous un sujet de blagues pour vos beaux-frères, vos voisins, vos amis de bureau, et que vous n’arrivez pas à quitter.

Encourager le Brésil … cette équipe dans laquelle ont joué Pelé, Garrincha, Rivelino, Zico, Didi et Ronaldo? Celle qui compte le plus de victoires ?  Celle qui est célèbre parce qu’elle possède le plus beau jeu du monde?

Encourager le Brésil, c’est un jeu d’enfant.

Si on y regarde bien, encourager le Brésil, c’est comme regarder un film au cinéma. Vous vous asseyez, vous prenez du popcorn, vous savez que vous allez avoir du spectacle, et que les gentils sont de votre côté. Vous verrez des effets spéciaux et il y de grandes chances d’avoir une fin heureuse. Parce que nous voulons voir du football hollywoodien. Aimer la sélection est aussi facile que d’aimer… Indiana Jones en crampons.

Aimer son l’équipe du coeur c’est souvent aimer le bandit, le méchant, celui qui ne le mérite pas, mais que les gens veulent voir gagner.

Les supporters temporaires de la Coupe du monde sont les bienvenus. J’ai déjà préparé le pop-corn, je vais m’asseoir sur mon canapé et visionner le spectacle. Je veux de la joie, du fun et des effets incroyables. Et si les gentils gagnent à la fin, j’éteins la télé.

Parce que dans quelques jours, j’ai déjà rendez-vous avec mon véritable amour.

Torcer contra / Pourvu que mon équipe perde

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Drapeau Brésil por Custódio Rosa

O Brasil estréia na Copa e grande contingente de pessoas diz que vai torcer contra. Mais que isso, muitos vão torcer pra Argentina.

Existem vários fatores que explicam essas atitudes. Aos que têm algum discernimento, a imensa vergonha de vestir a camisa amarela, utilizada por incontáveis patos que jogaram o país em uma rota de atraso de décadas. A corrupção da CBF. O protesto contra a alienação dos jogadores, dos dirigentes e do futebol em si, o “ópio do povo”. A situação geral, pois “há outras prioridades”.

Os motivos não são desprezíveis.
Por isso, este blog resolveu fazer a pesquisa:
“Quando realmente foi permitido torcer para o Brasil?”.
Em 2014, o país mergulhado em problemas, sediando a própria Copa, que vergonha.
Em 2010, os julgamentos do Mensalão, o futebol não poderia tirar a atenção disso.
Em 2006, o início do Mensalão, seria muito alienado torcer neste momento.
Em 2002, final de governo do FHC, alta rejeição, temos coisas mais importantes.
Em 1998, compra dos votos pra reeleição, acharam até comprovante.
Em 1994, governo do Itamar Franco, lembram do “vôo da muamba”?
Em 1990, governo Collor de Mello, você está brincando que vou apoiar isso?
Em 1986, Plano Bresser, bois escondidos no pasto, inflação de 82% ao mês.
Em 1982, 1978, 1974, 1970 e 1966, Ditadura Militar, o futebol como arma de manipulação das massas. Sem chances de torcer a favor.

Em 1962 e 1958, num dos raro momentos em que o país parecia estar indo na direção de seu potencial, Cinema Novo, Bossa Nova, Capital Nova, eleições com resultados respeitados, Pererê do Ziraldo nas bancas. Acho que nessa época dava pra torcer sem problemas. E ganhamos as duas Copas.

Nesse imenso intervalo, seguindo nossas diretrizes e convicções ideológicas, teríamos perdido alguns dos momentos mais sublimes que esta atividade humana universal, o futebol, proporcionou ao planeta. A perfeição divina da seleção de 1970, a magia fracassada de 1982, o drama épico de 1994, a “família” de 2002.

Enquanto isso, africanos, indianos, árabes, franceses, russos, mexicanos e tantos outros espalhados pelo mundo torciam apaixonadamente pra nós, ou porque faziam protestos exatamente iguais em seus próprios países, ou porque para eles simbolizamos uma entidade mística e um estado de espírito quase divino quando entramos em campo com uma bola nos pés.

Se você quer torcer contra, tudo bem.
Eu confesso que já fiz isso muitas vezes também. Na verdade nem estou muito convencido de torcer a favor este ano.

Agora… torcer pra Argentina?
Vai pra Buenos Aires, seu milongueiro!

 

Drapeau France par Custódio Rosa

Le Brésil fait ses débuts dans la Coupe du Monde et beaucoup de monde dit prier pour qu’il échoue. Mieux encore, beaucoup vont encourager l’Argentine.

Plusieurs facteurs expliquent cette attitude. Pour ceux qui ont un peu de discernement, c’est d’abord l’immense honte de porter le maillot jaune, instrumentalisé par d’innombrables incompétents qui ont plongé le pays dans un retard de plusieurs décennies. La corruption de la CBF. La protestation contre l’aliénation des joueurs, les dirigeants et le football lui-même, « l’opium du peuple ». La situation du pays, car « il y a d’autres priorités ».

Ces motifs ne sont pas à dénigrer.
Donc, ce blog choisit de poser la question suivante :
« Quand a-t-il été permis de supporter le Brésil? »
En 2014, le pays pataugeait dans les problèmes, accueillant quand même la Coupe, quelle honte.
En 2010, les jugements du Mensalão, le football ne pouvait pas distraire nos regards de cela.
En 2006, le début du Mensalão, il serait idiot d’imaginer supporter la sélection à cette période-là.
En 2002, la fin du gouvernement de FHC, le rejet élevé, nous avons des choses plus importantes à faire.
En 1998, les votes achetés de la réélection, dont on a même les preuves.
En 1994, le gouvernement d’Itamar Franco, se souvient-on du « vol do Muamba »?
En 1990, le gouvernement Collor de Mello, croyez-vous que je vais soutenir cela ?
En 1986, Plan Bresser, boeufs cachés dans les pâturages, inflation de 82% par mois.
En 1982, 1978, 1974, 1970 et 1966, dictature militaire, le football comme arme de manipulation des masses. Aucune chance de s’en réjouir.

En 1962 et 1958, dans l’un des rares moments où le pays semblait en passe de s’accomplir, Cinema Novo, Bossa Nova, Capital Nova, élections avec des résultats acquis et adoubés, Pererê do Ziraldo dans les tribunes. Je pense que c’était un plaisir de supporter la seleção en ce temps où il n’y avait pas de problèmes. Et nous avons gagné les deux coupes du monde.

Dans cet immense intervalle, suivant nos directives idéologiques et nos convictions, nous avons manqué certains des moments les plus sublimes que cette activité humaine universelle, le football, a fourni à la planète. La perfection divine des années 1970,  la magie ratée de 1982, le drame épique de 1994, la «famille» de 2002.

Pendant ce temps, Africains, Indiens, Arabes, Français, Russes, Mexicains et tant d’autres autour du monde se passionnaient passionnément pour nous, ou parce qu’ils avaient les mêmes revendications dans leurs propres pays, ou parce que pour eux nous symbolisions une entité mystique et un état d’esprit presque divin, quand nous sommes sur le terrain, balle aux pieds.

Si vous voulez que la seleção se loupe, très bien.
J’avoue que je l’ai fait de nombreuses fois, aussi. En fait, je ne suis pas non plus certain de la supporter cette année.

Maintenant … encourager l’Argentine?
Va plutôt à Buenos Aires, espèce de « milongueiro »!

2e étoile pour les Bleus ? / Segunda estrela para os « Bleus » ?

Drapeau France par Baptiste Fillon

Les Français n’osent pas se l’avouer, mais les Bleus font partie des équipes favorites de ce Mondial. Un statut que nous avons du mal à assumer, et que nous préférons contourner, en nous fantasmant outsider. Non sans mauvaise foi. Nous avons la meilleure équipe depuis plus de dix ans. Et notamment une attaque hors du commun, emmenée par Mbappé, Griezmann, et Dembélé, quand il le veut bien. Au milieu, Pogba est un joueur de classe mondiale, tout comme Ngolo Kanté. En défense, Varane a déjà remporté plus de Champions League que tous les clubs français réunis.

Nous continuons de se cacher, en évoquant le nul contre les Etats-Unis (1-1), comme si c’était la preuve de notre fébrilité. Alors que nous savons tous ce que valent les matchs de préparation… En 1998, ils avaient été médiocres, et nous connaissons la fin de l’histoire. Fausse modestie ou crainte de tomber de haut, certains commencent à présenter l’Australie et le Pérou comme des colosses imbattables, capables de nous faire déjouer. Le Danemark rappelle les mauvais souvenirs de l’élimination au premier tour en 2002. Comme si un match disputé voici 16 ans pouvait se dupliquer.

En réalité, la France est en droit d’aspirer à une deuxième étoile. Espérons que l’équipe hausse sa confiance à son niveau, sans tomber dans la suffisance, l’autre travers du doute français.

 

Drapeau Brésil por Baptiste Fillon

Os Franceses não se atrevem a admitir, mas os « Bleus » fazem parte das equipes favoritas desta Copa do Mundo. Um status que temos dificuldade de assumir, e que preferimos contornar, nos fantasiando « outsiders ». Não sem má fé. Temos a melhor equipe há mais de dez anos. E especialmente um ataque fora do comum, liderado por Mbappé, Griezmann e Dembélé, quando ele quiser. No meio, Pogba é um jogador de classe mundial, como é Ngolo Kanté. Na defesa, Varane já ganhou mais Champions League do que todos os clubes franceses juntos.

Continuamos a esconder, evocando o empate contra os Estados Unidos (1-1), como se fosse prova da nossa emoção. Enquanto todos nós sabemos o que os jogos de preparação valem … Em 1998, eles foram medíocres e sabemos o final da história. Falsa modéstia ou medo de cair, alguns começam a apresentar a Austrália e o Peru como gigantes imbatíveis, capazes de nos fazer frustrar. A Dinamarca recorda as más recordações da eliminação no primeiro turno, em 2002. Como se uma partida disputada há 16 anos pudesse ser duplicada.

Na realidade, a França tem o direito de aspirar a uma segunda estrela. Vamos torcer para que a equipe aumente sua confiança ao seu nível, sem cair na pretensão, outro viés da dúvida francesa.

Photo credit: FRED REYNES & LE VAMPIRE DU C14 on VisualHunt.com / CC BY-NC-ND