Torcer contra / Pourvu que mon équipe perde

avestruz_vergonha

Drapeau Brésil por Custódio Rosa

O Brasil estréia na Copa e grande contingente de pessoas diz que vai torcer contra. Mais que isso, muitos vão torcer pra Argentina.

Existem vários fatores que explicam essas atitudes. Aos que têm algum discernimento, a imensa vergonha de vestir a camisa amarela, utilizada por incontáveis patos que jogaram o país em uma rota de atraso de décadas. A corrupção da CBF. O protesto contra a alienação dos jogadores, dos dirigentes e do futebol em si, o “ópio do povo”. A situação geral, pois “há outras prioridades”.

Os motivos não são desprezíveis.
Por isso, este blog resolveu fazer a pesquisa:
“Quando realmente foi permitido torcer para o Brasil?”.
Em 2014, o país mergulhado em problemas, sediando a própria Copa, que vergonha.
Em 2010, os julgamentos do Mensalão, o futebol não poderia tirar a atenção disso.
Em 2006, o início do Mensalão, seria muito alienado torcer neste momento.
Em 2002, final de governo do FHC, alta rejeição, temos coisas mais importantes.
Em 1998, compra dos votos pra reeleição, acharam até comprovante.
Em 1994, governo do Itamar Franco, lembram do “vôo da muamba”?
Em 1990, governo Collor de Mello, você está brincando que vou apoiar isso?
Em 1986, Plano Bresser, bois escondidos no pasto, inflação de 82% ao mês.
Em 1982, 1978, 1974, 1970 e 1966, Ditadura Militar, o futebol como arma de manipulação das massas. Sem chances de torcer a favor.

Em 1962 e 1958, num dos raro momentos em que o país parecia estar indo na direção de seu potencial, Cinema Novo, Bossa Nova, Capital Nova, eleições com resultados respeitados, Pererê do Ziraldo nas bancas. Acho que nessa época dava pra torcer sem problemas. E ganhamos as duas Copas.

Nesse imenso intervalo, seguindo nossas diretrizes e convicções ideológicas, teríamos perdido alguns dos momentos mais sublimes que esta atividade humana universal, o futebol, proporcionou ao planeta. A perfeição divina da seleção de 1970, a magia fracassada de 1982, o drama épico de 1994, a “família” de 2002.

Enquanto isso, africanos, indianos, árabes, franceses, russos, mexicanos e tantos outros espalhados pelo mundo torciam apaixonadamente pra nós, ou porque faziam protestos exatamente iguais em seus próprios países, ou porque para eles simbolizamos uma entidade mística e um estado de espírito quase divino quando entramos em campo com uma bola nos pés.

Se você quer torcer contra, tudo bem.
Eu confesso que já fiz isso muitas vezes também. Na verdade nem estou muito convencido de torcer a favor este ano.

Agora… torcer pra Argentina?
Vai pra Buenos Aires, seu milongueiro!

 

Drapeau France par Custódio Rosa

Le Brésil fait ses débuts dans la Coupe du Monde et beaucoup de monde dit prier pour qu’il échoue. Mieux encore, beaucoup vont encourager l’Argentine.

Plusieurs facteurs expliquent cette attitude. Pour ceux qui ont un peu de discernement, c’est d’abord l’immense honte de porter le maillot jaune, instrumentalisé par d’innombrables incompétents qui ont plongé le pays dans un retard de plusieurs décennies. La corruption de la CBF. La protestation contre l’aliénation des joueurs, les dirigeants et le football lui-même, « l’opium du peuple ». La situation du pays, car « il y a d’autres priorités ».

Ces motifs ne sont pas à dénigrer.
Donc, ce blog choisit de poser la question suivante :
« Quand a-t-il été permis de supporter le Brésil? »
En 2014, le pays pataugeait dans les problèmes, accueillant quand même la Coupe, quelle honte.
En 2010, les jugements du Mensalão, le football ne pouvait pas distraire nos regards de cela.
En 2006, le début du Mensalão, il serait idiot d’imaginer supporter la sélection à cette période-là.
En 2002, la fin du gouvernement de FHC, le rejet élevé, nous avons des choses plus importantes à faire.
En 1998, les votes achetés de la réélection, dont on a même les preuves.
En 1994, le gouvernement d’Itamar Franco, se souvient-on du « vol do Muamba »?
En 1990, le gouvernement Collor de Mello, croyez-vous que je vais soutenir cela ?
En 1986, Plan Bresser, boeufs cachés dans les pâturages, inflation de 82% par mois.
En 1982, 1978, 1974, 1970 et 1966, dictature militaire, le football comme arme de manipulation des masses. Aucune chance de s’en réjouir.

En 1962 et 1958, dans l’un des rares moments où le pays semblait en passe de s’accomplir, Cinema Novo, Bossa Nova, Capital Nova, élections avec des résultats acquis et adoubés, Pererê do Ziraldo dans les tribunes. Je pense que c’était un plaisir de supporter la seleção en ce temps où il n’y avait pas de problèmes. Et nous avons gagné les deux coupes du monde.

Dans cet immense intervalle, suivant nos directives idéologiques et nos convictions, nous avons manqué certains des moments les plus sublimes que cette activité humaine universelle, le football, a fourni à la planète. La perfection divine des années 1970,  la magie ratée de 1982, le drame épique de 1994, la «famille» de 2002.

Pendant ce temps, Africains, Indiens, Arabes, Français, Russes, Mexicains et tant d’autres autour du monde se passionnaient passionnément pour nous, ou parce qu’ils avaient les mêmes revendications dans leurs propres pays, ou parce que pour eux nous symbolisions une entité mystique et un état d’esprit presque divin, quand nous sommes sur le terrain, balle aux pieds.

Si vous voulez que la seleção se loupe, très bien.
J’avoue que je l’ai fait de nombreuses fois, aussi. En fait, je ne suis pas non plus certain de la supporter cette année.

Maintenant … encourager l’Argentine?
Va plutôt à Buenos Aires, espèce de « milongueiro »!

2e étoile pour les Bleus ? / Segunda estrela para os « Bleus » ?

Drapeau France par Baptiste Fillon

Les Français n’osent pas se l’avouer, mais les Bleus font partie des équipes favorites de ce Mondial. Un statut que nous avons du mal à assumer, et que nous préférons contourner, en nous fantasmant outsider. Non sans mauvaise foi. Nous avons la meilleure équipe depuis plus de dix ans. Et notamment une attaque hors du commun, emmenée par Mbappé, Griezmann, et Dembélé, quand il le veut bien. Au milieu, Pogba est un joueur de classe mondiale, tout comme Ngolo Kanté. En défense, Varane a déjà remporté plus de Champions League que tous les clubs français réunis.

Nous continuons de se cacher, en évoquant le nul contre les Etats-Unis (1-1), comme si c’était la preuve de notre fébrilité. Alors que nous savons tous ce que valent les matchs de préparation… En 1998, ils avaient été médiocres, et nous connaissons la fin de l’histoire. Fausse modestie ou crainte de tomber de haut, certains commencent à présenter l’Australie et le Pérou comme des colosses imbattables, capables de nous faire déjouer. Le Danemark rappelle les mauvais souvenirs de l’élimination au premier tour en 2002. Comme si un match disputé voici 16 ans pouvait se dupliquer.

En réalité, la France est en droit d’aspirer à une deuxième étoile. Espérons que l’équipe hausse sa confiance à son niveau, sans tomber dans la suffisance, l’autre travers du doute français.

 

Drapeau Brésil por Baptiste Fillon

Os Franceses não se atrevem a admitir, mas os « Bleus » fazem parte das equipes favoritas desta Copa do Mundo. Um status que temos dificuldade de assumir, e que preferimos contornar, nos fantasiando « outsiders ». Não sem má fé. Temos a melhor equipe há mais de dez anos. E especialmente um ataque fora do comum, liderado por Mbappé, Griezmann e Dembélé, quando ele quiser. No meio, Pogba é um jogador de classe mundial, como é Ngolo Kanté. Na defesa, Varane já ganhou mais Champions League do que todos os clubes franceses juntos.

Continuamos a esconder, evocando o empate contra os Estados Unidos (1-1), como se fosse prova da nossa emoção. Enquanto todos nós sabemos o que os jogos de preparação valem … Em 1998, eles foram medíocres e sabemos o final da história. Falsa modéstia ou medo de cair, alguns começam a apresentar a Austrália e o Peru como gigantes imbatíveis, capazes de nos fazer frustrar. A Dinamarca recorda as más recordações da eliminação no primeiro turno, em 2002. Como se uma partida disputada há 16 anos pudesse ser duplicada.

Na realidade, a França tem o direito de aspirar a uma segunda estrela. Vamos torcer para que a equipe aumente sua confiança ao seu nível, sem cair na pretensão, outro viés da dúvida francesa.

Photo credit: FRED REYNES & LE VAMPIRE DU C14 on VisualHunt.com / CC BY-NC-ND