Sorria: sua morte pode salvar o grande Capital / Souriez : votre mort peut sauver le grand Capital

Por Custódio Rosa

Tem um fator tácito, meio óbvio mas oculto, nos discursos de Salvini, Trump, Johnson, Bolsonaro, Justus e outros conservadores e capitalistas.
Para eles o bom combate é o que protege o sistema do grande capital, a grana grossa.
Nesse combate, velhinhos, pobres, populações de rua e favelados são sempre o número incômodo, o excedente, o que atrapalha a planilha, o que impede resultados. A sujeira.
Se em uma situação normal a própria existência dessas pessoas já é indesejável, em uma situação de crise colossal passa a ser insustentável. Então o vírus pode fazer a « limpeza » que tirará da sociedade os que dão mais despesa e pouco retorno.

O discurso do Bolsonaro e do Justus reflete exatamente isso. « Vai morrer quem é velhinho, quem já tem problemas ».
« Acontece ».
A questão é que esse pensamento de que o extermínio, morte ou desaparecimento dessas populações não seria de todo ruim, não é reserva de mercado dos grandes endinheirados. Vejo isso no clube, academia, futebol, família, na minha rua. Gente que não se importaria nem um pouco com a eliminação ou desaparecimento de milhares de pessoas que « atrapalham » a vida social, desde que não sejam amigos ou da família. Não se importam se « eles » forem queimados no forno, em prol da sua melhor vida social futura.

E assim, o sistema joga os fracos no fogo tentando manter o grande capital protegido e com alguma capacidade de investimento. E, ao final desta crise, esse mesmo capital encontrará terreno livre para negócios inimagináveis:

De um lado, preços de ações, imóveis e bens estarão achatados, vendidos na bacia das almas. Uma enorme alavancagem patrimonial em curto espaço de tempo;

Do outro gente pendurada em juros e dívidas por anos ou décadas, vendendo para esse mesmo capital sua mão de obra, aposentadoria ou bens materiais para sobreviver.

O sujeito, que não é um grande capitalista mas defende o sistema que privilegia quem o fará prisioneiro, está indo direto pra armadilha. Vai blasfemando e condenando os que têm menos que ele, sem perceber que são quase seus vizinhos.
E que, na hora da lenha, eles mesmos serão os próximos da fila.

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Par Custódio Rosa

Il y a un facteur tacite, quelque peu évident mais caché, dans les discours de Salvini, Trump, Johnson, Bolsonaro, Justus et d’autres conservateurs et capitalistes.
Pour eux, le bon combat est celui qui protège le système du grand capital, du fric.
Dans cette lutte, les personnes âgées, les pauvres, les gens de la rue et les habitants des bidonvilles sont toujours un lot gênant, l’excédent, ce qui déroute le tableur, ce qui empêche d’atteindre les résultats. La lie.
Si, dans une situation normale, l’existence même de ces personnes est déjà indésirable, dans une situation de crise colossale, elle devient insoutenable. Ainsi, le virus peut faire le « coup de propre » qui éliminera de la société ceux qui engendrent plus de dépenses et peu de retour.

Le discours de Bolsonaro et Justus reflète exactement cela. « Ceux qui sont vieux, ceux qui ont déjà des problèmes vont mourir ».
« Ça arrive ».
Le fait est que cette pensée que l’extermination, la mort ou la disparition de ces populations ne serait pas un drame, n’est pas le propre des nantis. Je le vois au club, au gymnase, au football, en famille, dans ma rue. Les gens ne se soucient pas du tout de l’élimination ou de la disparition de milliers de personnes qui « perturbent » la vie sociale, tant qu’elles ne font pas partie de leurs amis ou de leur famille. Ils se foutent qu »ils » soient jetés au four, au bénéfice d’une meilleure vie sociale future.

Et donc, le système balancent les faibles au feu en essayant de protéger le grand capital et sa capacité d’investissement. Et, au sortir de cette crise, ce même capital trouvera un terrain libre pour réaliser des affaires inimaginables :

d’un côté, les prix des actions, de l’immobilier et des biens seront aplatis, vendus pour une bouchée de pain. Un énorme effet de levier patrimonial en un laps de temps très court;

d’un autre côté, des gens pieds et poings liés par les intérêts et l’endettement sur des années ou des décennies, vendront leur travail, leur retraite ou leurs biens matériels à ce même capital, pour survivre.

Celui qui, n’étant pas un grand capitaliste mais défend le système qui privilégie ceux qui feront de lui un prisonnier, se jette dans la gueule du loup. Il blasphème et condamne ceux qui ont moins que lui, sans se rendre compte qu’ils sont quasiment ses voisins.
Et que, lorsque la faucheuse passera, ces derniers seront les suivants sur la liste.

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Você é barco ou porto? / Es-tu un bateau ou un port?

porto_barco

Drapeau Brésil

Enquanto flutuamos sobre as ondas do oceano feito das dobras do lençol, pergunto:
– Entre barco ou porto, o que você quer ser?

Ela me diz:
– Quero ser barco. A liberdade de sempre ir, de levar minha história a um novo porto a cada dia, atracar em novos decks, testemunhar as diferenças mágicas de cada amanhecer em um lugar diferente, e, na impermanência, visitar o mundo e conhecê-lo.

Eu respondo:
– Eu quero ser porto. A solidez de sempre estar, de ouvir novas histórias de novos barcos a cada dia, oferecer meu deck como plataforma, testemunhar as diferenças mágicas de cada amanhecer no mesmo lugar, e, na permanência, receber o mundo e entendê-lo.

Assim, sabendo que sempre haverá portos aguardando barcos e barcos procurando portos, seguimos nossos estranhos destinos.

Ela, barco, foi morar ao lado do porto.
Eu, porto, moro em uma cidade sem mar.

 

Drapeau France

Alors que nous flottons sur les vagues de l’océan fait des plis du drap, je demande :
– Entre un bateau et port, que veux-tu être?

Elle me dit:
– Je veux être un bateau. La liberté d’aller toujours, d’emporter mon histoire dans un nouveau port chaque jour, de s’amarrer à de nouveaux quais, d’être témoin des différences magiques de chaque aube dans un endroit différent, et, dans l’impermanence, visiter le monde et le connaître. 

Je réponds:
– Je veux être un port. La solidité d’être toujours là, d’entendre chaque jour de nouvelles histoires de nouveaux bateaux, d’offrir mon quai comme plate-forme, d’être témoin des différences magiques de chaque aube au même endroit et, dans la permanence, recevoir le monde et de le comprendre.

Alors, sachant qu’il y aura toujours des ports en attente de bateaux et des bateaux à la recherche de ports, nous suivons nos étranges destins.

Elle, bateau, est allée vivre auprès d’un port.
Moi, port, je vis dans une ville sans mer.

O Brasileiro que conheço / Le Brésilien que je connais

Drapeau Brésil por Custódio Rosa

Sou como você. Conheço muitos Brasileiros.
No meu caso, alguns são artistas, outros trabalham com comunicação, boa parte destes é de “descolados”, gente que pensa o mundo de forma diferente.
Mas a maioria, talvez 90% que conheço, são o Brasileiro médio. Esse é o Brasileiro que conheço :
O Brasileiro que conheço não lê livro. No máximo, auto-ajuda ou algum motivacional.
O Brasileiro que conheço não entende de arte, na verdade despreza a arte e os artistas.
O Brasileiro que conheço sabe distinguir uma boa roupa, mas não consegue distinguir entre um produto artístico vagabundo e o que tem valor, e sempre consome o primeiro.
O Brasileiro que conheço despreza pensamentos filosóficos ou especulativos, não vê importância em nada que não seja “prático”.
O Brasileiro que conheço olha torto se alguém usa uma palavra com mais de três sílabas.
O Brasileiro que conheço não entende nada da história do próprio país. Não sabe dos golpes, das revoluções, das artimanhas que sempre se fez para garantir que o poder e os recursos não saiam de um grupo que sempre mandou nesses 500 anos.
O Brasileiro que eu conheço só admite que alguém suba de classe social se adotar o discurso da classe de cima. Caso contrário vai ser perseguido, acusado e isolado.
O Brasileiro que eu conheço não é a favor de greve. A não ser a dos caminhoneiros, porque os caminhoneiros como classe são retrógrados, e o brasileiro que conheço só aprova greve retrógrada.
O Brasileiro que eu conheço é afável pessoalmente e retrógrado politicamente.
O Brasileiro que conheço não se importa quantas pessoas morrem no trânsito, desde que ele possa andar a mais de 60km.
O Brasileiro que eu conheço está se lixando pra corrupção. Ele é alienado para qualquer escândalo que não seja de um partido político ou pessoa da esquerda. Todos os outros ele não liga.
O Brasileiro que eu conheço só acha imoral o pecado dos outros.
O Brasileiro que eu conheço só acha desonesta a desonestidade dos outros.
O Brasileiro que eu conheço nunca se acha culpado de nada.
O Brasileiro que conheço não se arrepende do crime, mas de ter sido flagrado. Ele justifica qualquer absurdo como « era só uma brincadeira ».
O Brasileiro que conheço não liga causas e consequências. Ele não vê relação entre as idiotices que faz e o que a natureza, a sociedade, a política, a economia e a própria vida manda de volta pra ele.
O Brasileiro que conheço acha que o filho dele de 34 é um garoto que precisa ser protegido, mas o do favelado aos 14 já pode ser criminalizado como adulto.
O Brasileiro que eu conheço corrompe alguém pro filho escapar do serviço militar, mas quer um governo militar pra acabar com a corrupção.
O Brasileiro que conheço é chantageado, ameaçado e escorchado dentro de uma delegacia pelo próprio delegado que lhe pede dinheiro, mas acha que Sergio Moro é um herói.
O Brasileiro que eu conheço tá se lixando pra Amazônia, pra floresta e proteção ambiental, pra tragédia de Mariana ou aquecimento global. Bicho bom pra ele é no churrasco, e mato tem mais que cobrir com porcelanato.
O Brasileiro que eu conheço é ogro, obtuso, não se importa com isso e tem até orgulho de ser assim.

O Brasileiro que conheço vai ser governado por um governo que é a cara dele.

—–

Drapeau France par Custódio Rosa

Je suis tout comme vous. Je connais beaucoup de Brésiliens.

Dans mon cas, certains sont des artistes, d’autres travaillent dans la communication, la plupart sont des gens « cools », qui pensent le monde différemment.

Mais la majorité, peut-être 90% de ceux que je connais, incarnent le Brésilien moyen. Voici le Brésilien que je connais :

Le Brésilien que je connais ne lit pas de livre. Ou seulement des bouquins sur la motivation et le développement personnel, au mieux.

Le Brésilien que je connais ne comprend rien à l’art, en fait, il le méprise, ainsi que les artistes.

Le Brésilien que je connais sait choisir de beaux vêtements, mais il ne sait pas faire la différence entre un produit culturel médiocre et un autre qualitatif, et il consomme toujours le premier.

Le Brésilien que je connais méprise les pensées philosophiques ou spéculatives, il ne prête aucune valeur à ce qui n’est pas « pratique ».

Le Brésilien que je connais regarde avec défiance celui qui emploie un mot de plus de trois syllabes.

Le Brésilien que je connais ne comprend rien à l’histoire de son propre pays. Il ne sait rien des coups d’Etat, des révolutions, des manipulations nécessaires pour que le pouvoir et les richesses n’échappent pas au groupe social qui dirige ce pays depuis 500 ans.

Le Brésilien que je connais admet qu’on gravisse l’échelle sociale que si on adopte le discours de la classe sociale supérieure. Sinon, on sera persécuté, stigmatisé et isolé.

Le Brésilien que je connais n’est pas en faveur de la grève. Sauf celle des chauffeurs routiers, parce que le groupement des camionneurs est rétrograde et que le Brésilien que je connais n’approuve que les grèves rétrogrades.

Le Brésilien que je connais est individuellement affable et politiquement rétrograde.

Le Brésilien que je connais ne se soucie pas du nombre de personnes qui meurent dans un accident de la route, tant qu’il peut rouler à plus de 60 km/h.

Le Brésilien que je connais se lave les mains de la corruption. Il est ne considère que les scandales concernant un parti politique et la gauche. Il se fout de tous les autres.

Le Brésilien ne trouve immoral que le péché des autres.

Le Brésilien ne trouve malhonnête que la malhonnêteté des autres. Le Brésilien que je connais n’est jamais coupable de rien.

Le Brésilien que je connais ne se repend que de s’être fait prendre. Il justifie l’absurde en disant que « c’était juste une blague ».

Le Brésilien que je connais ne relie pas les causes aux conséquences. Il ne voit aucune relation entre les idioties qu’il commet et la façon dont elles impactent la nature, la société, la politique, l’économie et sa propre vie.

Le Brésilien que je connais pense que son fils de 34 ans est un garçon à protéger, mais qu’un gamin de 14 ans issu d’une favela peut être criminalisé comme un adulte.

Le Brésilien que je connais graisse la patte pour que son fils n’effectue pas son service militaire, mais il souhaite qu’un gouvernement militaire mette fin à la corruption.

Le Brésilien que je connais est soumis au chantage, il est menacé et traqué à l’intérieur d’un commissariat par un officier qui lui demande de l’argent, mais il pense que Sergio Moro est un héros.

Le Brésilien que je connais se contrefout de l’Amazonie, de la protection de la forêt et de l’environnement, comme de la tragédie de Mariana ou du réchauffement climatique. A ses yeux, le truc sympa c’est le churrasco, et recouvrir la brousse de porcelaine.

Le Brésilien que je connais est un ogre, obtus, et s’en fiche, et en tire même de la fierté.

Je sais que le Brésilien que je connais a élu un gouvernement à son image.

Photo credit: tropical.pete on VisualHunt / CC BY-SA

L’humour au cœur de la tragédie: l’élection de l’extrême droite au Brésil via l’oeil de Custódio

Drapeau Brésil par Custódio Rosa

Voici quelques dessins qui, espérons-le, permettrons aux Français de comprendre l’incompréhensible. Afin, peut-être, d’éviter que la même chose se produise en France.

(Traduction des dessins – Baptiste Fillon)

 

07_camisa_forca

 

08_espelho_rdz

 

 

16_whatstruz_fr

 

18_nazismo_burro

 

24_barbaros

 

merde

 

23_sapiens

 

 

24_whats_gado

 

 

25_nova_realidade

 

29_bolso_estupro

 

27_caminhos